A Igreja no Brasil celebrará, no período de 26 de novembro de 2017, Solenidade de Cristo Rei, à 25 de novembro de 2018, o “Ano do Laicato”.

 

O tema escolhido foi “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na 'Igreja em saída', a serviço do Reino” e o lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo”, Mt 5,13-14.
O Documento 105, que trata do assunto, está dividido em três capítulos, além de uma Introdução e conclusão. O primeiro capítulo, “O Cristão Leigo, Sujeito na Igreja e no Mundo: esperanças e angústias”, trata da descoberta da vocação e missão do cristão leigo e leiga na Igreja e na Sociedade. O segundo capítulo, “Sujeito Eclesial: Discípulos Missionários e Cidadãos do Mundo”, aborda a compreensão da identidade e da dignidade laical como sujeito eclesial e identifica a atuação dos leigos, considerando a diversidade de carismas, serviços e ministérios na Igreja. O terceiro capítulo intitulado, “A Ação Transformadora na Igreja e no Mundo”, e faz uma reflexão acerca da dimensão missionária de todos os membros da Igreja.
Por meio deste jornal e nos dois próximos, apresentarei um resumo do texto documental. Neste mês, veremos a introdução e o primeiro capítulo; nos dois próximos meses, observaremos o segundo e terceiro capítulos e a conclusão.

Introdução

O documento inicia sua reflexão a partir da Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, que propõe: “O Caráter secular caracteriza os leigos. A vocação própria dos leigos é administrar e ordenar as coisas temporais, em busca do Reino de Deus”. O Beato Paulo VI lembra: dos leigos, “a sua primeira e imediata tarefa não é a instituição e desenvolvimento da comunidade eclesial – esse é o papel específico dos pastores. A primeira e imediata tarefa dos leigos é o vasto e complicado mundo da política, da realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes”.
Contudo, apesar do desenvolvimento da comunidade não ser a sua tarefa primeira, os leigos são chamados a participar da ação pastoral da Igreja (Documento de Aparecida n.211). Portanto, o leigo não pode substituir o pastor naquilo que lhe compete por vocação, como o pastor também não pode substituir o leigo.
A partir da sua vocação específica, cristãos leigos vivem o seguimento de Jesus na família, na comunidade, no trabalho profissional... colaborando, assim, na construção de uma sociedade justa e solidária.

Capítulo 1 – O Cristão Leigo, Sujeito na Igreja e no Mundo: Esperanças e Angústias
Sal da Terra e luz do mundo (Mateus 5,13-14), assim Jesus definiu a missão que aos seus discípulos missionários confiou. As imagens do sal e da luz são particularmente significativas se aplicadas aos cristãos leigos. Nem o sal, nem a luz, nem a Igreja e nenhum cristão vivem para si mesmos. No caso dos cristãos, somente surtirão o efeito da Boa Nova, se estiverem ligados a Jesus Cristo (João 15,18).
O grande campo de ação dos cristãos é o mundo. Por isso o Concílio Vaticano II afirma que a Igreja está dentro do mundo e tem a Missão de ser sal da terra e luz do mundo.

Cristãos Leigos nos documentos da Igreja

Em 1968, o documento de Medellin (n.10.26) destacava a importância da ação dos leigos cristãos na Igreja e na sociedade. Tal tema se repetiu no Documento de Puebla (1979- n.786) que identifica os leigos como homens e mulheres da Igreja no coração do mundo. O Documento de Santo Domingo (1992- n.98) os chamava de protagonistas da transformação da sociedade. Já o Documento de Aparecida (2007-n.213) pediu maior abertura de mentalidade para que entendam e acolham o ser e o fazer dos leigos na Igreja, que por seu Batismo e Confirmação são discípulos e missionários de Jesus Cristo.
Em 1999, o episcopado brasileiro lançou o documento 62 ”Missão e Ministério dos Cristãos Leigos” que oferece à Igreja orientação para o discernimento sobre o laicato e sua atuação na organização dos ministérios na comunidade.
Na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (n.20.24), o Papa Francisco lança um vigoroso chamado para que todo o povo de Deus saia para evangelizar. Por último, o Ano da misericórdia (08/12/2015 a 20/11/2016) convida a abrir as portas do coração à prática das obras da misericórdia e ir ao encontro dos excluídos ou discriminados.

O Mundo Globalizado

Apesar de tantos avanços da atual sociedade globalizada (tecnologias, sistema jurídico e financeiro, sistema de controle social, e outros), há deficiências gritantes em relação ao direito comum das pessoas e dos povos, bem como em relação ao que permite a cada um viver a verdadeira felicidade. Por isso é chamada de “globalização da indiferença”.
Precisamos vencer a indiferença com a conversão do coração e com as obras de misericórdia para conquistar a tão desejada paz, que se inicia aqui, mas que só pode ser plena em Deus. Caim se mostrou indiferente ao irmão. O bom samaritano, pelo contrário, deixou-se comover, aproximou-se e cuidou do próximo. Venceu a indiferença pela misericórdia. A globalização da indiferença torna o homem insensível.

Contradições do Mundo Globalizado

Os grandes problemas humanos estão presentes, em nível mundial e local, e expõem por si mesmos as contradições do sistema globalizado:
1-desenvolvimento da pobreza (o desemprego, a falta de moradia, a fome e a violência são hoje fatos mundiais); 2-confiança no mercado e crises constante (O Estado defende os mercados financeiro e produtivo investindo bilhões nestes ambientes, em detrimento das múltiplas formas de exclusão que persistem, como falta de moradia, escolas e outros itens básicos para uma vida digna); 3- enriquecimento de uns e a degradação ambiental; 4- bem-estar de uns e exclusão da maioria: a humanidade permanece dividida entre alguns que têm muito e muitíssimos que não têm o mínimo para subsistir; 5- busca de riqueza e tráfico: tanto o tráfico de drogas como o de pessoas, o ser humano não passa de mercadoria que esvazia a sua dignidade; 6- segregação de grupos sociais privilegiados e segregação em bolsões de pobreza e miséria: a violência é o grande flagelo que também decorre dessa segregação e atinge todos os cidadãos; 7- redes sociais virtuais e indiferença real
É preciso dizer não a tudo isso! É preciso converter o coração!

Discernimentos necessários

A Igreja vive dentro deste mundo globalizado. O desafio do cristão será sempre viver no mundo sem ser do mundo (Jo 17,15-16). Discernir significa aprender a separar as coisas positivas das negativas que fazem parte do mesmo modo da vida atual.
Viver na Igreja significa aprender permanentemente a seguir o caminho e a verdade do Evangelho, para viver a sua missão no mundo de hoje.

Tentações da Missão

O mundo influencia a Igreja, oferece-lhe tentações, inspira desvios, impõe modelos de vida, a ponto de mundanizá-la. Daí a necessidade contínua de renovação e conversão. Eis algumas tentações:
1- ideologização da mensagem evangélica. Significa interpretar o Evangelho fora da Bíblia e da Igreja para defender interesses pessoais.
2- reducionismo socializante. Consiste em reduzir a Palavra de Deus a partir da ótica puramente social.
3- ideologização psicológica. Entende o encontro com Jesus Cristo como uma dinâmica psicológica do autoconhecimento.
4- proposta gnóstica. Costuma ocorrer quando grupos de “católicos iluminados” julgam ter uma espiritualidade superior à espiritualidade dos outros.
5- proposta pelagiana. Busca a solução dos problemas sem contar nem recorrer à graça de Deus.
6- funcionalismo. Consiste em apostar na função e na prosperidade do plano pastoral. Os sacramentos e a evangelização se transformam em função burocrática, sem conversão. A Igreja é assim transformada numa ONG.
7- clericalismo. Há duas vertentes: a dos padres que centralizam tudo em sua pessoa e a dos leigos, que querem e esperam pelo padre naquilo que eles – leigos – podem fazer.
8- individualismo. A perda do senso de eclesialidade.
9- secularismo. É a negação da religiosidade como dimensão do ser humano

A necessária mudança de mentalidade e estrutura

A Igreja não é uma ilha de perfeitos, mas uma comunidade missionária e de aprendizagem em seu modo de ser, organizar e agir como seguidora de Jesus Cristo. Viver e atuar neste mundo globalizado implica mudança de mentalidade e de estruturas.
A inserção na realidade do mundo exige da Igreja como um todo ser:
1- Comunidade de discípulos de Jesus Cristo; 2- Escola de vivência cristã; 3- Organização comunitária feita de diversidade de sujeitos investidos de dons e funções distintos; 4- Comunidade inserida no mundo como testemunha e servidora do Reino de Deus que busca inserir a Boa Nova em todos os ambientes sociais; 5- Povo de Deus que busca também os sinais do Reino no mundo; 6- Comunidade que se abre permanentemente para as urgências do mundo; 7- Comunidade que mostra a fraternidade de ajuda e serviço mútuo, com especial atenção às pessoas mais frágeis e necessitadas; 8- Igreja em saída, de portas abertas, que vai em direção aos outros para chegar às periferias humanas e acompanhar os que ficaram caídos à beira do caminho.
A Igreja direcionada e pautada pelos Evangelho de Jesus Cristo é sinal do Reino de Deus no mundo. Ela caminha para frente, dentro da história, com lucidez e esperança, com paciência e misericórdia, com coragem e humildade. A Igreja, com estas características, incluindo dentre elas as atitudes de escuta e diálogo, sem abrir mão dos ensinamentos de Jesus, insere-se no mundo como quem aprende e ensina, sabe dizer sim ao que é positivo e não ao que prejudica a dignidade humana. Assim a Igreja se insere no mundo com a atitude do serviço iluminado pela postura amorosa e serviçal presente na Santa Ceia.

Expediente

Seg. a sex. 9h às 18h, Sáb. 9h às 12h
E-mail: secretaria15pnsa@gmail.com
Tel.: (22) 2643-0082

Bênção do Santíssimo Sacramento

Qui., às 18h (antes da Santa Missa), na Matriz Histórica

Batismo

Inscrições às terças, das 9h às 12h e 14h às 17h, na Matriz Auxiliar

Bênçãos de objetos (veículos, casas e outros)

Marcar previamente na Secretaria Paroquial

Matrimônio

Informações e entrega de documentos na Sec. Paroquial com a presença dos noivos