Um dos maiores erros do homem contemporâneo é conceber a fé como um exercício imaginativo, acreditar que a ação divina e a intercessão dos santos são conceitos abstratos e sentimentais.

É fácil reconhecer-se no lugar de São Tomé, nos habituamos e preferimos o conforto do mundo perceptível pelos sentidos e classificar tudo aquilo que o transcende como emocional ou psicológico. No entanto, a fé católica não consiste na crença de realidades alheias ao nosso quotidiano, mas sim num Deus que compartilha de nossa humanidade e faz-se carne da mesma forma que todos nós aqui viemos: na vulnerabilidade de um nascituro. O próprio Deus se confia aos cuidados de uma mãe, faz-se dependente dela em tudo, na segurança de seu zelo providencial. Compreendendo que Deus ao se fazer também perfeitamente homem, ensina o homem a ser homem, concluímos que cada ser-humano possui inerente a sua natureza, pela intrínseca busca de realizar-se em suas potencialidades, o chamado a ser imitador de Cristo. Reconhecendo a compreensão insuficiente de nossa racionalidade, como não nos identificar também necessitados da maternidade daquela que Deus confiou para seus cuidados? Dessa forma, cada homem e cada mulher também possui inerente a sua natureza o chamado a ser filho de Maria.

Da mesma forma que aos pés da cruz São João pôde fisicamente enxergar os carinhos de Deus ao ter como mãe aquela que chamou Cristo de filho, a misericórdia divina quis, sobrepujando a ardente intercessão, que Maria também fisicamente intervisse em benefício da humanidade de acordo com as necessidades específicas de seus momentos históricos. Claro, sem dúvidas nossa comunidade católica municipal pode testemunhar a constante ingerência da Virgem Maria, solícita em nosso favor, no entanto, como expressão de seu irrestrito amor materno, quis ela tornar cristalino seus cuidados em nosso particular quotidiano, com um sinal físico de sua atenção aos nossos clamores, no dia 24 de setembro de 1721.

Fenda de Nossa Senhora, Arraial do Cabo — RJ.

Domingos André Ribeiro tinha provavelmente a rotina mais comum dos habitantes de nossa região, imagino que naquele dia antes de sair para pescar tenha repetido liturgicamente a mesma preparação que já fizera inúmeras vezes, entrado com o mesmo barco, com a mesma rede, no mesmo mar. Já deveria ser familiar à nossa compreensão a preferência da extraordinariedade divina pela simplicidade, e foi assim, em meio ao quotidiano de seu ofício, que o pescador encontrou na hoje chamada “Fenda de Nossa Senhora”, no atual município de Arraial do Cabo, a pequena e rústica imagem de Nossa Senhora da Conceição. Ou melhor, que a imagem da Virgem Maria a ele apareceu, e decidiu entrar de forma incisiva em nossa história local.

Narram os escassos registros históricos que o pescador levou a imagem para sua casa, logo reunindo todo o povoado em sua devoção. E na naturalidade do acolhimento materno foram se revelando os primeiros milagres por sua intercessão. Foram comunicadas as autoridades locais, governamentais e eclesiásticas, e conforme a milagrosa imagem se tornava conhecida, decidiu a comunidade cristã translada-la em procissão até a Matriz Histórica de Nossa Senhora da Assunção, onde temporariamente repousou num nicho do altar central. A Câmara Municipal tratou de informar o rei Dom João V sobre o ocorrido, a aparição da imagem e seus milagres, no anseio de obter recursos para a construção de uma igreja onde poderiam abrigar a Virgem Aparecida.

Como narra a historiadora local Rose Fernandes no recomendadíssimo “Cabo Frio Polo Colonizador do Brasil”, “surgiram os primeiros milagres com embarcações livres de naufrágios e a notícia se espalhou pela costa, levada pelos tripulantes dessas embarcações. As romarias começaram a chegar na cidade, pessoas que vinham de longe para pagar suas promessas. Os milagres foram ganhando fama em todos os municípios e distritos litorâneos e depois em outros estados. Cada vez mais embarcações aportavam na cidade para cumprir as suas promessas. Houve intenso movimento no porto de Cabo Frio e na Igreja Matriz, levando os comerciantes, ampliarem seus armazéns e aumentando o estoque de mercadorias. A notícia alcançou a costa da África e da Ásia, trazendo marinheiros de Angola e Moçambique que ali aportaram para venerar a santa. ”

Por: Pedro José Sá

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